IPO: a estreia na Bolsa de Valores

A estreia de uma empresa na Bolsa de Valores é sempre acompanhada de muito interesse e curiosidade não apenas dos investidores, mas de todo o mercado financeiro.

Pois a Oferta Pública Inicial – IPO – mexe com a ambição daqueles que vislumbram a obtenção de ganhos. Mas você sabe como funciona e para que serve um IPO? Então, confira no artigo a seguir!

IPO: Initial Public Offering

A sigla IPO, traduzindo para o português, significa Oferta Pública Inicial e representa o momento em que uma empresa irá oferta suas ações ao mercado pela primeira vez.

Ou seja, quando ela faz a abertura do seu capital na Bolsa de Valores e vende uma parte do seu capital para outros acionistas. Um dos objetivos dessa negociação é a busca por recursos financeiros para a expansão da companhia.

Outro fator importante ao fazer um IPO é a possibilidade de a empresa dar maior liquidez aos seus empreendedores. Pois com a venda das suas ações, seus papéis se transformam em dinheiro mais rapidamente.

Mas claro que abrir seu capital na Bolsa de Valores não acontece da noite para o dia. Esse processo é demorado e exaustivo, pois a empresa precisa adequar seus processos, operações e resultados.

Etapas para fazer um IPO

Quando uma empresa começa a pensar na possibilidade de fazer um IPO, existe uma série de etapas a serem cumpridas. São diversos requisitos legais e regulamentações a serem preenchidas antes da sua estreia na Bolsa.

No Brasil, o IPO é regulamentado pela Instrução 400/03 da CVM – Comissão de Valores Mobiliários. Pois é esta autarquia que protege os interesses dos investidores e do mercado mobiliário como um todo.

Um dos requisitos iniciais é se tornar uma S/A – sociedade anônima – dividindo seu capital em ações. Além disso, auditorias financeiras externas, criação de uma governança corporativa, conformidade da estrutura societária e outros.

Então, inicia-se a fase de planejamento e auditorias, onde devem ser apresentados os últimos 3 anos de balanços já auditados. Também começam as definições quanto a captação de volume de recursos e valoração da empresa.

Conjuntamente, dá-se início a apresentação da oferta da empresa ao mercado, chamado de Roadshow. Esses encontros servem para motivar o interesse dos atuais investidores para a abertura do capital da empresa na Bolsa.

Também é necessário realizar o registro junto à CVM e a listagem na B3, podendo optar entre os segmentos: Nível 1, Nível 2, Bovespa Mais, Bovespa Mais Nível 2 e Novo Mercado.

Outra etapa imprescindível para o IPO é a apresentação do Prospecto. Esse documento contém todas as informações sobre a empresa e sobre a oferta, embasando os investidores na sua decisão de compra das ações.

Antes da estreia

Antes do pregão de abertura acontecer de fato, existe um período de reserva onde os investidores não institucionais (pessoas físicas) podem fazer suas ofertas. Ou seja, eles podem enviar seus pedidos de aquisição de ações.

Além disso, existe a etapa de bookbuilding, que demonstra as intenções de compra dos investidores institucionais. Com base nestas informações, é estabelecido o preço de lançamento destes ativos.

Dessa forma, além da fixação do preço, também é possível estimar o número de ações a serem disponibilizadas. Assim, ao realizar todas estas operações, uma empresa está apta para fazer sua na Bolsa de Valores.

IPO: pregão de abertura

O tão esperado dia chega e a empresa faz sua estria na Bolsa de Valores. Como uma debutante, a companhia é apresentada oficialmente ao mercado financeiro. E esse momento é sempre acompanhado com grande expectativa pelos investidores.

Pois é aqui que uma empresa pode se sair muito bem e ver o preço das suas ações dispararem. Ou se sair muito mal, e ver seus papéis despencarem. E não há como prever isso antes de acontecer o pregão de abertura.

Então, algumas pessoas podem achar que investir em IPO pode não ser tão bom assim. Como qualquer investimento de renda variável, o IPO também implica em riscos.

Contudo, tanto para quem já atua no mercado financeiro quanto para aqueles que estão iniciando, a dica é sempre a mesma: conhecimento. É imprescindível estudar sobre os investimentos que se pretende fazer. Além disso, acompanhar todos os assuntos pertinentes ao mercado de ações e ficar atento às informações das empresas as quais quer se tornar acionista. Bem como buscar dados e documentos fidedignos, elaborados por analistas desse mercado.

CVM: qual o seu papel no mercado de ações?

Investir no mercado de ações parece ter se tornado tendência nos últimos tempos, principalmente com as abruptas quedas das taxas de juros. Parece que o brasileiro tem olhado com mais afeto para o mercado de renda variável.

No entanto, a falta de uma cultura de investimentos ainda é fator de medo e receio para muitos. Além da desinformação, que acaba corroborando para que pessoas confiem e invistam em empresas não regulamentadas.

Como é o caso das famosas pirâmides financeiras e suas promessas de ganhos rápidos, fáceis e super rentáveis. Mas para proteger os investidores e desenvolver o mercado financeiro de forma salutar é que existe a CVM.

Comissão de Valores Mobiliários

A Comissão de Valores Mobiliários – CVM, está vinculada diretamente ao Ministério da Economia. Essa entidade autárquica foi criada em dezembro de 1976 e tem como missão a fiscalização e a normatização do mercado brasileiro de valores mobiliários.

Além disso, tem em sua missão o desenvolvimento da economia com base na livre iniciativa. Ou seja, ela resguarda os interesses dos investidores e do mercado de investimentos, fomentando, assim, a economia brasileira.

Assim, a CVM propicia que todos tenham acesso seguro às informações sobre o mercado financeiro. E, dessa forma, possibilita a democratização e o aumento do número de investidores e de empresas no mercado de capitais.

Com sede no Rio de Janeiro, sua administração atua de forma independente ao poder público. A gestão é feita por um colegiado formado por um presidente e mais quatro diretores, todos nomeados pelo Presidente da República.

Contudo, esse colegiado também passa pela aprovação do Senado e possui mandato de 5 anos. E sua jurisdição abarca todo o território brasileiro, tanto em pessoas físicas quanto jurídicas.

Atuação da CVM

O funcionamento do mercado de valores mobiliários é disciplinado diretamente pela CVM com base na Lei 6.385/76. E dentre suas atividades, estão:

  • Emissão e distribuição dos valores mobiliários no mercado;
  • Negociação e intermediação nos mercados de valores mobiliários e de derivativos;
  • Organização, funcionamento e operação da Bolsa de Valores e da Bolsa de Mercadorias e Futuros;
  • Administração de carteiras e custódia dos valores mobiliários;
  • Auditoria para abertura de companhias;
  • Consultoria e análise de valores mobiliários;
  • Regulamentar as sociedades por ações;
  • Fiscalizar atividades pertinentes ao mercado de valores mobiliários;
  • Averiguar pessoas e informações vinculadas ao mercado de valores mobiliários.

Sua atuação é totalmente imparcial, o que garante a segurança e o direito dos investidores. Tanto daqueles que investem em renda variável quanto daqueles que aplicam seu dinheiro em renda fixa.

Assim, com base nestas prerrogativas, a CVM possui competência para examinar qualquer registro contábil. Ou até mesmo intimar empresas públicas e privadas para prestar informações sobre suas demonstrações financeiras.

Além disso, também pode aplicar advertência, multa, suspensão, inabilitação e cassação. Ou seja, possui autoridade máxima no que tange qualquer implicação dentro do mercado de investimentos.

O que são Valores Mobiliários?

Valores Mobiliários são todo e qualquer título de crédito ou de propriedade, emitidos tanto por órgãos públicos quanto privados. Dentre estes títulos, temos:

  • Ações, cupons cambiais, bônus de subscrição, debêntures;
  • Contratos futuros e derivativos;
  • Notas comerciais e certificados de depósitos de valores mobiliários.

Portanto, qualquer emissão, distribuição ou negociação desses títulos só poderá ser realizada com autorização da CVM. Contudo, títulos da dívida pública e títulos cambiais de instituições financeiras não são considerados valores mobiliários.

Além destas regulamentações, a CVM também faz a supervisão da Bolsa de Valores. Assim como profissionais e empresas que atuam neste setor devem ser autorizados e certificado pela entidade!

Como investir na Bolsa de Valores

Investir na Bolsa de Valores ainda é algo distante e que mexe com o imaginário de muitos. A dinâmica de investimentos em renda variável nem sempre é bem compreendida, o que acaba gerando dúvidas para a maioria.

Tanto é fato, que no Brasil apenas 1% da população investe no mercado de valores mobiliários. Isso acontece, muito em função, da pouca ou nenhuma cultura de investimentos que falta para os milhares de brasileiros.

Além disso, a Bolsa de Valores ainda é vista como lugar onde apenas os ricos e milionários fazem parte. Mas está mais do que na hora de quebrar esse paradigma e mostrar que qualquer pessoa pode investir na Bolsa de Valores!

Um pouco sobre a Bolsa de Valores

Inicialmente, é preciso entender que a Bolsa de Valores é o ambiente onde são negociados os valores mobiliários. Ou seja, onde as empresas disponibilizam pequenas partes de seu capital aos investidores interessados.

A bolsa de valores brasileira surgiu em 1890, passando por várias mudanças ao longo dos anos. Até que em 1967 ela se torna a Bolsa de Valores de São Paulo, ou também chamada de Bovespa.

No ano de 2008, a Bovespa e BM&F iniciam o processo de fusão, dando origem a BM&F Bovespa. E em 2017, em nova fusão com a Cetip (Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos) surge a B3 (Brasil, Bolsa, Balcão).

Mas, independente de nomes e fusões, o mais importante é entender a relevância da Bolsa de Valores no mercado brasileiro. Pois é por meio dela que uma sociedade se torna mais rica e mais desenvolvida.

Ambiente de negociação

A Bolsa de Valores (B3) é o ambiente criado para as negociações de valores mobiliários. Nesse “local”, as empresas que buscam investimentos para fomentar seus projetos, disponibilizam parte do seu capital para novos acionistas.

Ou seja, a B3 faz a interação entre compradores e vendedores, porém de uma forma totalmente organizada e segura. Assim, vendedores ficam assegurados de receber o dinheiro e os compradores de receber suas ações.

Outro papel fundamental da Bolsa de Valores é a salvaguarda dos títulos negociados entre as empresas e os investidores. Para tanto, foi criada a CLBC – Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia.

Além disso, todo o volume de negociação realizada neste ambiente é mensurado pelo Ibovespa (IBOV). Esse índice mede o volume e o desempenho das empresas que estão listadas na B3.

Como funciona a B3

Quando uma empresa busca capital na B3, ela faz o chamado IPO – Oferta Pública Inicial. Ou seja, ela disponibiliza parte de seus ativos, em troca de dinheiro, para aqueles que querem investir em suas ações.

Com o aporte de dinheiro, estas empresas podem investir em tecnologia, expansão e diversas outras melhorias. Já para aqueles que adquiriram as ações e se tornaram acionistas, a expectativa é de receber lucros e dividendos destas empresas.

Mas para quem quer se tornar um investidor nesse mercado, é necessário ter conta em uma corretora de valores. Pois toda essa dinâmica só é possível por meio das corretoras e suas plataformas de negociação.

Além disto, é imprescindível estudar sobre este mercado. Entender sobre as análises técnica fundamentalista, acompanhar os especialistas em mercado financeiro e, principalmente, conhecer a saúde financeira a qual se quer investir.

Investir na bolsa é algo simples e não requer grande quantidade de dinheiro. Mas por se tratar de aplicações com alto risco, requer muito estudo, conhecimento e planejamento!